Safra 2016/2017

Incertezas com robusta diminuem esperança de recomposição nos estoques do Brasil na safra 2016/17



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Os estoques de café do Brasil, que estão a caminho da maior queda em quatro anos, podem não ter recuperação na próxima temporada, disse o Cepea ao levar em conta o mau resultado na colheita de robusta do país.
O volume armazenado de café pelo Brasil, em junho, no fim da safra 2015/16, "será o menor desde a temporada 2011/12", disse o Instituto observando a perspectiva de demanda mais alta que a colheita do ano passado.
O consumo interno do país, estimado pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) em 20,5 milhões de sacas ao ano, além das exportações, que atingiram 30,4 milhões nos primeiros 10 meses da temporada, já ultrapassaram toda a produção do ano passado, indexada pelo USDA (Departamento de Agricultura do Estados Unidos) em 49,4 milhões de sacas.
O ritmo das exportações está apenas 2% mais baixo que o recorde alcançado na última temporada, quando os embarques terminaram em 36,5 milhões de sacas, embora o Cepea reconheça que o aperto entre oferta e demanda possa ter um final brando na safra 2015/16.
"A baixa oferta de café, especialmente de grãos de alta qualidade, pode limitar as exportações no final da temporada", disse o Instituto ligado à USP (Universidade de São Paulo).

Panorama dos estoques

O Cepea levantou dúvidas sobre a recomposição dos estoques brasileiros de café na próxima temporada, apesar de reconhecer que a perspectiva seja favorável para a colheita de arábica neste ano, que muitos especialistas apontam acima de 40 milhões de sacas.
Este número, "no entanto, não aponta para uma recuperação dos estoques", disse o instituto, sinalizando o potencial para uma maior força nas exportações brasileiras.
"Outros importantes países produtores não devem ter grande oferta de grãos para exportação".
O Vietnã, o maior produtor de café robusta, "já indicou que vai ter uma queda na produção de 30% em 2016/17".
Já a Colômbia, terceiro maior produtor de grãos robusta, "ainda sofre com os efeitos do El Nino", e registrou queda em seus embarques devido ao "alto volume de cafés de baixa qualidade".
"Os embarques de países africanos e Indonésia também podem ser limitados na temporada 2016/17, devido ao aumento da demanda doméstica".

Qualidade preocupa

O Cepea também destacou preocupações em relação a colheita de robusta no Brasil, citando que com a seca nas principais regiões produtoras, os resultados da colheita estão ruins.
A colheita está em 50% no Espírito Santo, onde começou em abril, e 80% concluída em Rondônia.
Em meados de maio, os rendimentos do robusta foram "até 25% menores do que em uma colheita normal", disse o Cepea.
"Além disso, a qualidade também tem incomodado [a indústria]", disse o instituto.
No entanto, os preços do café arábica estão mais altos ultimamente no Brasil, subindo 3,7% no mês passado, para R$ 492,52 a saca, em comparação com o robusta, que registrou R$ 389,21 a saca ontem (15). As variedades registraram em maio a menor diferença desde janeiro de 2014.
O desempenho levou os prêmios do café arábica ante o robusta para acima de R$ 100 a saca pela primeira vez em dois meses.

Tradução: Jhonatas Simião

Fonte: Agrimoney

16/06/2016